28 de novembro de 2005

Cidadania e jogos

Sexta e sábado lá estive no 3º Encontro de Investigação e Formação do CIED na ESE de Lisboa. Deixo aqui algumas ideias...

Face à fundamentação da organização do encontro:

"As transformações profundas que a sociedade tem vindo a sofrer nas últimas décadas têm desafiado enormemente as concepções e práticas de educação para a cidadania.
De um modelo educativo assente no imperativo de fidelização política passiva do cidadão face ao Estado, aponta-se hoje para um modelo que encara o cidadão como um agente munido de um conjunto de competências cognitivas, éticas e de acção susceptível de o capacitar para tomar nas mãos a melhoria da qualidade dos contextos sociais onde vive e trabalha.
Ora esta nova cidadania requer um novo tipo de cultura educativa e de formação: uma cultura que entrelace o formal e o informal, os referenciais teóricos e a vida concreta, a escolaridade obrigatória e a educação ao longo da vida, o currículo formal e o ethos da escola." (site do encontro)
decidimos falar de jogos de computador como "laboratórios de cidadania" e analisar não só vários jogos, como as diferentes maneiras como um jogo pode estar imbuído de ideologias e formar nas mesmas.

Deixo aqui alguns links para jogos que referimos na comunicação:

Cambiemos: um dos meus favoritos! construir um puzzle colaborativamente e "ver" que esse esforço permite transformar uma situação cinzenta em algo positivo.

TurboFlex: excelente pela forma como é absolutamente aborrecido de jogar! somos um trabalhador que é puxado por um tubo para diferentes tarefas em função das necessidades das empresas. cada emprego é pior que o outro pela repetitividade que exige... se não cumprirmos com o desempenho esperado vamos parar à lista negra!

Tamatípico: na linha do anterior, somos um trabalhador de indústria que tem que manter a sua produtividade... o que significa que temos que equilibrar trabalho, descanso e lazer (tv...).

September 12: este é um verdadeiro banho de água fria. controlamos uma mira sobre uma cidade árabe onde conseguimos distinguir civis de terroristas. sempre que disparamos sobre um terrorista, o tempo entre o nosso clique e o míssil, bem como a imprecisão da mira leva-nos a assassinar bastantes civis. passado algum tempo, além da culpa de estarmos a matar tantos civis como danos colaterais (expressão familiar?) vemos civis tornarem-se terroristas...

Porquê esta atenção a videojogos?
Alguns dados interessantes (o resto vai para o artigo que ainda não está acabado... )

"Em Portugal, segundo dados facultados através Internet pelo Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo (GIASE, 2005), no ano lectivo 2004/2005, no ensino não superior público e privado, existiam 1661516 alunos matriculados, 183267 docentes e 120411 computadores na escolas, das salas de aula aos serviços administrativos, dos quais 84985 possuíam ligação à Internet. Em 2005, a Sony anunciou ter vendido em Portugal cerca de 500 mil unidades da sua consola de jogos Playstation 2, uma das várias consolas actualmente disponíveis no mercado português."
(dados da comunicação, disponíveis aqui: http://mundo-persistente.blogspot.com/)

Veja-se ainda os dados que obtivemos num inquérito sobre jogadores on-line portugueses disponível nas actas do mICTE 2005.

O que não conhecemos pode estar a educar os nossos filhos e alunos... e não conhecemos, muitas vezes, por puro preconceito! Joguem! E como para tudo o resto na vida, ensinem espírito crítico.

Experienciado por Maria @ 1:11 da manhã


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